Calibração: o requisito que quase ninguém acompanha
O requisito 7.1.5 da ISO 9001 trata dos recursos de medição. Falha de calibração compromete o dado, a decisão e a auditoria — e costuma passar despercebida até o pior momento.
O que o requisito 7.1.5 exige
A ISO 9001 exige que a organização determine e forneça os recursos de medição necessários para garantir resultados válidos. Isso inclui identificar o status de calibração, controlar a validade e tratar o equipamento quando ele é considerado fora de conformidade.
O requisito não pede apenas o certificado de calibração. Pede que o resultado da medição seja confiável e que a organização saiba disso.
Por que a calibração importa
Se o instrumento não está calibrado, o resultado medido não é confiável. E decisão baseada em dado não confiável é risco operacional: refugo, retrabalho, reclamação de cliente e não conformidade na auditoria.
Em setores regulados — saúde, indústria, laboratórios — a calibração é ainda mais crítica. Um equipamento vencido pode invalidar todo um lote de resultados.
O que o auditor verifica
- Identificação do status de calibração de cada equipamento.
- Controle de validade e rastreabilidade.
- Registro do que foi medido e com qual instrumento.
- Tratamento quando o equipamento é considerado fora de conformidade.
- Avaliação do impacto das medições anteriores.
Os erros mais comuns
O erro mais comum é descobrir o vencimento na véspera da auditoria. Quando o controle é manual, a falha é só questão de tempo. Outro erro frequente é guardar o certificado sem vincular o equipamento ao processo que ele mede.
Também é comum não registrar o que foi medido com o instrumento. Sem essa ligação, o auditor não consegue avaliar o impacto de uma calibração vencida.
Como organizar o controle
- Inventariar todos os equipamentos de medição.
- Definir periodicidade e responsável por cada calibração.
- Manter alerta de vencimento antes do prazo.
- Registrar rastreabilidade entre medição, equipamento e resultado.
- Tratar o equipamento fora de conformidade com avaliação de impacto.
Na prática: calibração em dia é evidência de controle, não burocracia. O custo de organizar é menor do que o custo de descobrir o problema na auditoria.
Conclusão
O requisito 7.1.5 é um dos mais negligenciados e um dos que mais geram não conformidade. Controlar a calibração é proteger o dado, a decisão e a certificação. Quem organiza antes chega à auditoria com evidência, não com correria.
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